quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O tédio

- "tão grande é meu silêncio/ que poderia escutar uma hóstia pousar sobre uma nuvem/ a floração de estrelas no abismo/ e o murmúrio de deus amando o mundo"

Meu tédio vem de estar sozinha,
de estar vazia
E é o vazio que me toma
todo o ar que já tive

Agora não tenho ar,
não tenho sol,
não tenho amor
Sim, tenho medo

Medo do tédio eterno,
de não poder fugir do eterno
nem desse dia nessa cidade
(hoje eternamente de puro tédio,
puto tédio)

A cidade continua cheia,
repleta de gente vazia,
de gente cheia de tédio
sem ar, sem sol
e sem amor -
a cidade dos cheios de medo

Mas eu não gosto de desertos
e então,
enquanto observo a cidade
e percebo seu vazio,
seu tédio se torna acolhedor

É quando seguro um lápis
e esse caderno
E faço rimas
com palavras que não rimam

Só fujo do tédio quando encontro as palavras

Um comentário:

  1. "repleta de gente vazia" >> perfeito!

    e o final, como sempre, perfeito tbm! :)

    não se envergonhe, tá lindo.

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