quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Pregando um sonho.

-"e o nosso amor se declara muito maior e não pára em nós"

A bem da verdade, devo dizer que cada dia que chega, trazendo consigo o mundo real e levando embora meus sonhos irreais, me tira mais um taco de sabedoria. Era mais sábia quando criança. Talvez até o fosse mais quando ainda era um feto enroscado dentro do útero de minha mãe. Pelo menos mais livre eu era. Mais serena e mais feliz. Hoje não sinto o mundo e, mais mal, penso muito sobre ele. Todos os dias me bombardeiam com informações, filosofias e impressões mentais sobre o mundo. Tudo o que quase sempre me é inútil, ou me faz ver que o inútil sou eu e somos todos nós. Sei que falta pouco para que eu exploda.
Mas meu cérebro não é eu, sou mais que ele. Tento e não consigo, porém, mostrar a mim mesma minha essência. E ela vai se esvaindo, esvaindo, e se perdendo no labirinto confuso e truncado dos meus pensamentos. Ela não encontra o caminho que leva ao ponto de encontro com o profundo da minha mente (aquela parte dela que já existia antes de se encontrar com as outras mentes do mundo), e eu fico assim, separada em dois, e esquecida da segunda metade de mim (minha alma).
Enquanto isso chove, e eu não sinto a água. Apenas observo de longe cada gota que cai, como se a chuva estivesse dentro de uma televisão muda, instigando a meus ouvidos que a ouçam, a minha pele que se molhe e a meu sangue que se resfrie. Então me vejo presa do lado de fora dessa televisão. Tento aumentar o volume, ou mudar de canal, o controle remoto não funciona. Tento entrar nessa tv pra ver se me lembro do que é sentir a chuva e a tela me impede. Por agora, ainda vejo essa chuva e ainda não poderei senti-la.
É por isso que hoje sou a fé e a esperança de que um dia esse mundo me deixe viver do abandono da razão e ser só sensação. E de que eu possa deixar no ontem e dentro de uma televisão apagada a angústia, a frieza e a pequeneza desse eu de hoje. Acredito em um eu melhor e em um cada um de nós melhor. Podem dizer que é utopia, ou o que quer que pensem ser, mas quando esse dia chegar, e surgir um mundo novo, nosso de verdade, baterá à porta de cada um que se recuse a ver e gritar a sua própria verdade um vento louco de justiça e solidariedade, e esses, então, também entenderão o que são. Surgirão outros, da mesma forma, novos elos de uma corrente de bondade.
Ela não será fraca.

domingo, 2 de agosto de 2009

A saga de umas viagens -

Desse julho que me encheu de alegrias.

1 – Penedo, sua paz, minha paz.

Stones, dança, espelho; cor, vermelho, lareira; madeira, pica-pau; leitura, Janis, mezanino, estrela, sono; corpo, frio, coração, quente; All Star, café, cigarro; Om tare tam soha; Baleiro, noite, dedo, roxo, frio, frio, frio, bom; baú, magia, tesouro, Jumanji; barulho, silêncio, gente, amigos; solidão, filosofia, papel, caneta, eu, liberdade; pedra, montanha, amores; morango, chocolate, broa, truta, fondue, cerveja, cozinha; Papai Noel, Finlândia, casaco, meia-calça; araucária, fogo; chuva, sol, vento, água; cor, verde; casa, riacho, palmeira, fungo; cachorro, Judith, Regresso; portão, cadeado, chave, procura; sapo; lama, bota, biquíni, cachoeira; meia, cobertor, cantinho, janela, vidro, mato; padaria, ônibus, vontade, voltar.

2 – Fazendinha, sua terra, minha terra.

Descobri cada pedacinho de chão donde vem meu café da manhã, meu almoço e meu jantar. Descobri que dessa terra vem minha energia. Descobri o tanto de energia que é usada para preparar a terra, cultivar e colher meu alimento. Descobri que aqui se ensina e aqui aprendi muito. Descobri coco amarelo, pimentão chapéu e planta-ovo. Descobri que peão sabe das coisas. Descobri meu pai professor. Descobri que laboratório é mais legal do que parece. Descobri um workaholic colombiano-paraguaio-brasileño. Descobri como é deliciosamente sujo enfiar a mão na terra procurando minhocas. Descobri a comida gostosa da Elma. Descobri fitopatologia. Descobri gente engraçada. Descobri que eu gosto mesmo é de gente engraçada. Descobri fungo, bactéria e experiência científica. Descobri minha boadrasta. Descobri semente, muda, planta. Descobri que cachorros se viciam em Biscrok. Descobri grandes meus ipês amarelos. Descobri a beleza de ver crescer uma semente sua. Descobri que quero ver vacas todo dia. E entendi que meu lugar é mesmo aqui.

3 – Friburgo, suas flores, minhas flores.

Meu jardim tem margaridas e violetas
bromélias, orquídeas e amores-perfeitos
Tem flores-de-maio
que nesse junho se abriram

Tem um cheiro que é só seu
e que é diferente quando a chuva cai
deixando suas gotas na minha terra
e nos meus jasmins cheirosos
e nas minhas rosas e nos meus lírios

Quando o sol chega
lhe seguem meus girassóis
e se fecham minhas damas-da-noite

Quero levar meu jardim pra onde vou
e transformar o cotidiano cinza do cimento
em colorido dos meus miosótis azuis

Mas só junto a você sinto
esse cheiro de flor do amor compartilhado.