quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O tédio

- "tão grande é meu silêncio/ que poderia escutar uma hóstia pousar sobre uma nuvem/ a floração de estrelas no abismo/ e o murmúrio de deus amando o mundo"

Meu tédio vem de estar sozinha,
de estar vazia
E é o vazio que me toma
todo o ar que já tive

Agora não tenho ar,
não tenho sol,
não tenho amor
Sim, tenho medo

Medo do tédio eterno,
de não poder fugir do eterno
nem desse dia nessa cidade
(hoje eternamente de puro tédio,
puto tédio)

A cidade continua cheia,
repleta de gente vazia,
de gente cheia de tédio
sem ar, sem sol
e sem amor -
a cidade dos cheios de medo

Mas eu não gosto de desertos
e então,
enquanto observo a cidade
e percebo seu vazio,
seu tédio se torna acolhedor

É quando seguro um lápis
e esse caderno
E faço rimas
com palavras que não rimam

Só fujo do tédio quando encontro as palavras

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Sobre o (fim do) amor.

- woke up this morning/ singing an old beatles song/ we're not that strong my lord/ you know we ain't that strong/ (...)/ e se não tivesse chorar?/ e se não tivesse o amor?

Um disco voador me leva pra lua
até poder sentir o hálito quente do dragão de Jorge
e ver a chuva de longe,
suas gotas são de água e sal -
gotas daquela manhã branca,
de quando suas unhas se desferraram da minha pele,
depois que a transa acabou.
E se a chuva que hoje cai
são as lágrimas contidas dos meu olhos,
a que se destina toda essa água,
se você seria a razão dela existir?
Mas meus olhos agora só ardem,
não choram.
E se avermelham de ódio
ou de ópio
quando lhe olham.
Tendo atrás de mim o céu cinza,
com um milhão de pequenos raios
a iluminar a noite escura,
quero lhe perder pra sempre.

Saio morrendo de medo
dessa vontade de voltar.